Eu me lembro de uma embalagem transparente, onde havia uma meia nova; um vestido no cabide e um sapato na caixa.
Foi assim nessa ordem de banho e ligações que vi o mundo girando ao favor da noite que mal começava e ao meu, que tinha retornado ao roxo de meus fios. Pus tudo mundo junto ao corpo e tomei rumo ao primeiro rumo, onde parcerias foram feitas. Conversas longas e novidades velhas em posto... É retomado o caminho ao centro.
Chegando ao dito centro, onde tirei o salto, e andei como se fosse ao encontro da luz – não foi sem motivação, havia um mendigo rindo freneticamente de um lado e do outro um casal HT se beijando e o cara batendo uma, e um cara junto deles gritando ‘ARAZO’. Ela, ao meu lado e sem salto, disse tensa ‘o cara ta batendo uma’, virei e vi, ri tensa. Ela disse mais algo como ‘agora o cara ta pagando um pra ele’ e fomos ao encontro das próximas ruas... não sem antes reparar que descemos ao lado de um ‘porn cinema’, muito mais caído do que o que queríamos.
Uma rua. Outra rua. Enfim a avenida. Mas tão só quantos meus gritos na madrugada. Olhamos o Banco fechado e o banco da parada de ônibus, que foi convidativo, mas não. Uma Kombi branca se apresentava, cheia de instrumentos e parafernálias que não me faziam sentido, a não ser um instrumento de quatro cordas muito belo.
Baixos e altos a parte, ou não, nos convidaram a entrar e foram gesticulações de ‘’oi’’ e ‘’oi’’ várias vezes, repetindo o mesmo nome, afinal, era e não vai deixar de ser o mesmo nome. Gente estranha, mais do que nós [risos], mas nem problemas... Soluções até o momento de percepções aos olhos e ao toque do toque.
Eu ainda arquivava memórias há àquela hora...
As paredes eram negras, com desenhos de homens e mulheres, todo nus. Todos transando. Duas figuras pude guardar com quase a mesma exatidão da reprodução: A primeira era uma mulher de cócoras, virada para a frente e exibindo sua genitália. De cada lado da mulher havia um homem, com nádegas bonitas, e ela segurava seus pênis como se fossem à boca meio aberta. A outra era de um homem indo comer o outro. Há.
Fiquei reocupada de encostar onde fosse às paredes diziam que ali havia sexo, as pessoas exalavam hormônios sexuais e eu e ela, com os rostos meio que apresentando sorrisos desdenhosos, sentíamos que começava a noite nem tão longa pela qual esperamos.
Houve um passo para trás, de minha parte. Não acredite quando calças de zebra pisavam e pegavam o que eu disse “de boa”, mas como sempre penso... De boa.
Tive que desabotoar uma pílula de sua cartela, mas a vontade não era de amargo da cafeína anidra, e sim doce, para andar de bicicleta. Essa decisão me fez não cair em lombras tortas, mas lombras aleatórias e cretinas que fizeram meus olhos verem flashes, minhas pernas dançaram e travarem e minhas unhas tornarem a penetrar na minha pele e na pele de segundos e terceiros.
A música começou, mas não foi o suficiente, pessoas dançando, mas não foi suficiente, eu me reproduzindo em gestos e danças, mas ainda não foi suficiente. As horas tornavam que nem sangue de moças corrompidas em sua primeira vez. Ao perceber eu via híbridos de emoção em telas de reprodução à minha frente, sem ter cabimento e caimento de tudo. Era sexo. Era cômico. “Esse pênis é maior que minha perna” e realmente era, e eu não me enganei ao dizer que “Ele é mais grosso que a perna do dono”, he.
Então, em uma rede de tantos comentários e desleixos, acredito eu, aconteceu que sim. Eu olhava pela janela tentando achar a lua, para encontrar poesia naquele momento de pura esclerose de meus ensinamentos morais. Não encontrei ao que procurava, mas ao meu lado eu percebi e vi olhos sedentos de tempos, mas só vi figuras túrgidas e complexas de entendimento. Uma vez. Outra vez. Eles sorriram como se suas tonalidades escuras não fizessem sentido de se mostrarem, então em olhos puxados e calorosos eu vi o que procurei e tornarei pródigo logo mais.
Foi como uma criança deixar o parque de diversões, como abandonar o parceiro um minuto antes de ejacular, como vomitar a comida mais saborosa de meu gosto, eu tive que desatribuir aquilo de mim, e foi como o vento de tempos presentes.
Tive tempo de desejar um bom gozo com tudo aquilo, desci escadas escuras que acuaram meu intestino, onde mais tensão (lê-se tesão) aconteceu. Melhor foi logo dar adeus a tudo aquilo e suas peças de preto ou colorido.
Juro que pensei em abarcar aquele local com meus braços e pernas, pensei em sentar nas cabines e ver sacanagem besta, e talvez colocar a mão outra vez na bunda da mesma pessoa... Mas não valeria tanto a pena quanto sair dali com a cabeça leve, o corpo arrepiado e passar em um local 24H e ganhar a melhor bebida da noite e uma carteira de cigarros que não penso em fumar.


