terça-feira, 3 de novembro de 2009

Cinema Da Beth

Eu me lembro de uma embalagem transparente, onde havia uma meia nova; um vestido no cabide e um sapato na caixa.

Foi assim nessa ordem de banho e ligações que vi o mundo girando ao favor da noite que mal começava e ao meu, que tinha retornado ao roxo de meus fios. Pus tudo mundo junto ao corpo e tomei rumo ao primeiro rumo, onde parcerias foram feitas. Conversas longas e novidades velhas em posto... É retomado o caminho ao centro.
Chegando ao dito centro, onde tirei o salto, e andei como se fosse ao encontro da luz – não foi sem motivação, havia um mendigo rindo freneticamente de um lado e do outro um casal HT se beijando e o cara batendo uma, e um cara junto deles gritando ‘ARAZO’. Ela, ao meu lado e sem salto, disse tensa ‘o cara ta batendo uma’, virei e vi, ri tensa. Ela disse mais algo como ‘agora o cara ta pagando um pra ele’ e fomos ao encontro das próximas ruas... não sem antes reparar que descemos ao lado de um ‘porn cinema’, muito mais caído do que o que queríamos.


Uma rua. Outra rua. Enfim a avenida. Mas tão só quantos meus gritos na madrugada. Olhamos o Banco fechado e o banco da parada de ônibus, que foi convidativo, mas não. Uma Kombi branca se apresentava, cheia de instrumentos e parafernálias que não me faziam sentido, a não ser um instrumento de quatro cordas muito belo.


Baixos e altos a parte, ou não, nos convidaram a entrar e foram gesticulações de ‘’oi’’ e ‘’oi’’ várias vezes, repetindo o mesmo nome, afinal, era e não vai deixar de ser o mesmo nome. Gente estranha, mais do que nós [risos], mas nem problemas... Soluções até o momento de percepções aos olhos e ao toque do toque.
Eu ainda arquivava memórias há àquela hora...


As paredes eram negras, com desenhos de homens e mulheres, todo nus. Todos transando. Duas figuras pude guardar com quase a mesma exatidão da reprodução: A primeira era uma mulher de cócoras, virada para a frente e exibindo sua genitália. De cada lado da mulher havia um homem, com nádegas bonitas, e ela segurava seus pênis como se fossem à boca meio aberta. A outra era de um homem indo comer o outro. Há.


Fiquei reocupada de encostar onde fosse às paredes diziam que ali havia sexo, as pessoas exalavam hormônios sexuais e eu e ela, com os rostos meio que apresentando sorrisos desdenhosos, sentíamos que começava a noite nem tão longa pela qual esperamos.
Houve um passo para trás, de minha parte. Não acredite quando calças de zebra pisavam e pegavam o que eu disse “de boa”, mas como sempre penso... De boa.
Tive que desabotoar uma pílula de sua cartela, mas a vontade não era de amargo da cafeína anidra, e sim doce, para andar de bicicleta. Essa decisão me fez não cair em lombras tortas, mas lombras aleatórias e cretinas que fizeram meus olhos verem flashes, minhas pernas dançaram e travarem e minhas unhas tornarem a penetrar na minha pele e na pele de segundos e terceiros.


A música começou, mas não foi o suficiente, pessoas dançando, mas não foi suficiente, eu me reproduzindo em gestos e danças, mas ainda não foi suficiente. As horas tornavam que nem sangue de moças corrompidas em sua primeira vez. Ao perceber eu via híbridos de emoção em telas de reprodução à minha frente, sem ter cabimento e caimento de tudo. Era sexo. Era cômico. “Esse pênis é maior que minha perna” e realmente era, e eu não me enganei ao dizer que “Ele é mais grosso que a perna do dono”, he.


Então, em uma rede de tantos comentários e desleixos, acredito eu, aconteceu que sim. Eu olhava pela janela tentando achar a lua, para encontrar poesia naquele momento de pura esclerose de meus ensinamentos morais. Não encontrei ao que procurava, mas ao meu lado eu percebi e vi olhos sedentos de tempos, mas só vi figuras túrgidas e complexas de entendimento. Uma vez. Outra vez. Eles sorriram como se suas tonalidades escuras não fizessem sentido de se mostrarem, então em olhos puxados e calorosos eu vi o que procurei e tornarei pródigo logo mais.
Foi como uma criança deixar o parque de diversões, como abandonar o parceiro um minuto antes de ejacular, como vomitar a comida mais saborosa de meu gosto, eu tive que desatribuir aquilo de mim, e foi como o vento de tempos presentes.
Tive tempo de desejar um bom gozo com tudo aquilo, desci escadas escuras que acuaram meu intestino, onde mais tensão (lê-se tesão) aconteceu. Melhor foi logo dar adeus a tudo aquilo e suas peças de preto ou colorido.


Juro que pensei em abarcar aquele local com meus braços e pernas, pensei em sentar nas cabines e ver sacanagem besta, e talvez colocar a mão outra vez na bunda da mesma pessoa... Mas não valeria tanto a pena quanto sair dali com a cabeça leve, o corpo arrepiado e passar em um local 24H e ganhar a melhor bebida da noite e uma carteira de cigarros que não penso em fumar.

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Faaca

-poxa, vai ter show.

'Eu não acredito

Em tudo que eu mais quero

Mas vivo a sonhar

com você a me beijar

E essa dor que sara

Faz viver e acordar pra mim

Eu quero ver você dançar

Em cima de uma faca molhada de sangue

Enfiada no meu coração

Cada passo falso que eu disfarço e não posso mais sofrer

Eu não consigo mais viver sem ter, poder retalhar não sei

Eu te levo e trago e não passo e está tudo bem, tá tudo bem

Se eu desmonto e disfarço é porque você não vem, você não vem

Mas se eu peço e renovo é porque eu te quero bem, te quero bem

[Mombojó]

Pontos Cardeais

-Para a garota de cabelos que já foram da cor do fogo.

'Eu acreditei

No teu amor, no teu querer, nos teus sinais

Na dor do teu olhar com medo de não me ver mais

Mas entendi que nos dois somos pontos cardeais

Ligados por um fio imaginário

Mas sempre distantes demais

Eu então me perguntei

Até onde posso suportar?

Até onde quero e me permito violentar?

Pois te amar tanto assim lhe convém

Mas me sangra tão bem

Você parece estar à sombra de uma arvore

Enquanto eu saio pra lutar ao sol

Você parece repousar

Num transatlântico de luxo

Enquanto minhas mãos

Fazem bolhas de tanto remar

Então por que já não me diz adeus

Pra eu parar de cantar...

[Isabella Taviani]

sábado, 24 de outubro de 2009

umque

Seríamos nós, acredito passíveis de sofrimento terreno?

Aquelas dores e palpitações em minha fronte, deparando com seu fronte ignorante e querido de tantos tempos.

Escuto aquelas músicas que fazem o pensamento voar, correr e acrescer memórias.

E caio na desova do inesperado e passo a crer nas atitudes do meio interno.

Eu errei.

Eu matei, duas vezes.

Eu vou tentar fazer nascer.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Assim


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Tudo Branco, Por Nós


Conectar idéias está muito além de ser inteligente. Também é preciso tempo, afinidade com pessoas fofoqueiras e tendências maldosas. Tendências maldosas eu tenho, de sobra, mas não as vejo como uso fundamental a isso. Ainda que fosse sobre músicas eróticas ou erotismos particulares, sim, sim e sim, eu usaria.

Mas voltando a conectar idéias e parágrafos... Neste final/começo da semana tive a oportunidade ímpar de conversar com alguém de respeito, alguém que eu respeito, que talvez somente eu e mais duas pessoas respeitem. Foi dito para fazer do silêncio a melhor forma de crescer, e que ter ouvido seletivo é uma ordem nessa existência, e dentro das escolhas que fiz. Senti os olhos coçando, as mãos roçando no tecido branco da saia e percebi que o manto descia da cabeça. A vontade de retirar a cabeça de duas ou três pessoas foi tão repentina – mentira – que a surpresa deixou meu rosto quente, e provavelmente rubro.

Eu esperei, espero e vou continuar na expectativa dos burros que permanecem calados. E isso não fazia e nunca vai fazer parte real de mim.


''O tempo é um amigo precioso
Eu nunca pensei que foi tão difícil

me entender com tudo isso'' (8)





quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Hum.

Seremos eternamente olhos entreabertos de nossas almas sedutoras...